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Cesta básica: Preços aumentam em 12 capitais

07 de maio de 2013.

Cesta básica: Preços aumentam em 12 capitais

A alta nos preços dos produtos alimentícios essenciais continuou a predominar, em abril, e 12 das 18 capitais onde o DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – realiza, mensalmente, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica apresentaram este comportamento. As maiores elevações foram apuradas em Recife (6,55%), João Pessoa (5,94%), e Belém (5,25%). As retrações ocorreram em seis capitais, sendo as mais significativas em Salvador (-4,63%), Porto Alegre (-3,00%) e Campo Grande (-1,73%).

 No último mês, São Paulo continuou a ser a capital onde se apurou o maior valor para a cesta básica (R$ 344,30), apesar de o aumento verificado ser apenas o oitavo maior. Na sequência aparecem Manaus (R$ 339,64), Vitória (R$ 328,94) e Rio de Janeiro (R$ 327,52). Os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 247,72), Salvador (R$ 268,05) e Campo Grande (R$ 271,65).

Com base no custo apurado para a cesta de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em abril deste ano, o menor salário pago deveria ser de R$ 2.892,47, ou seja, 4,26 vezes o mínimo em vigor, de R$ 678,00. Em março, o mínimo necessário era menor, equivalendo a R$ 2.824,92 ou 4,17 vezes o piso vigente. Em abril de 2012, o valor necessário para atender às despesas de uma família chegava a R$ 2.329,35, o que representava 3,74 vezes o mínimo de então (R$ 622,00).

Variações acumuladas

 No acumulado dos primeiros quatro meses de 2013, as 18 capitais apresentaram alta nos preços da cesta básica. As maiores elevações situaram-se em João Pessoa (22,33%), Aracaju (21,40%) e Recife (19,84%). Os menores aumentos foram verificados em Porto Alegre (6,08%) Florianópolis (7,36%) e Goiânia (8,00%).

Em doze meses – entre maio de 2012 e abril último – período em que o DIEESE divulgava a estimativa de preços da cesta básica em 17 capitais, sem os dados de Campo Grande – MS, os aumentos do custo da cesta básica ainda matem-se acima de 10% em todas as regiões.

As maiores variações ocorreram em: João Pessoa (34,11%), Recife (33,21%) e Fortaleza (32,99%).

Os menores aumentos foram verificados em Porto Alegre (16,48%), Curitiba (18,98%) e

Florianópolis (20,75%) e Goiânia (20,76%).

Cesta x salário mínimo

Em abril, para comprar os gêneros alimentícios essenciais, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou realizar, na média das 18 capitais pesquisadas, jornada de 98 horas e 05 minutos, tempo superior às 96 horas e 47 minutos exigidas em março. Em relação a abril de 2012, a jornada comprometida também foi maior, já que naquele mês eram necessárias 85 horas e  53 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em abril, 48,46% de seus vencimentos para comprar os mesmos produtos que em março demandavam 47,81%. Em abril de 2012, o comprometimento do salário mínimo líquido com a compra da cesta equivalia a 42,43%.

Comportamento dos preços

Em abril, os preços da cesta básica sofreram influência dos aumentos verificados no leite,

feijão, farinha, pão francês e banana. O leite in natura subiu em 16 capitais. As maiores altas ocorreram em Brasília (9,52%),

Campo Grande (7,69%) e Rio de Janeiro (6,16%). Aumentos moderados foram apurados em Manaus (0,36%) e Salvador (0,37%). As retrações no preço foram anotadas em Aracaju (-3,85%) e Florianópolis (-1,38%). Em relação ao ano passado, houve aumento em todas as capitais, com destaque para: Salvador (28,10%), João Pessoa (21,72%) e Fortaleza (21,13%). A evolução dos preços do leite reflete queda na oferta do produto e também o encarecimento de custos relacionados à ração animal.

Em abril, o preço do feijão ficou mais caro em 15 capitais. As maiores elevações ocorreram em Goiânia (13,59%), Recife (11,67%) e João Pessoa (9,25%). Os menores aumentos aconteceram em Porto Alegre (0,48%), Aracaju (1,71%) e Natal (2,21%). Recuos foram registrados em Curitiba (-1,82%), Rio de Janeiro (-0,73%) e Vitória (-0,20%). Na comparação anual, houve aumento em 16 capitais, com as variações mais expressivas em Aracaju (37,85%), Salvador (37,32%) e Brasília (36,17%). As menores elevações foram apuradas em Florianópolis (10,41%), Natal (10,55%) e Fortaleza (16,95%). Houve diminuição em Belém (-5,66%). Os preços no varejo ainda são influenciados pela oferta restrita de feijão e por estoques baixos do produto. Atraso no plantio em algumas regiões, bem como uma menor área plantada, favorecem as altas dos preços.

Em abril, os preços da farinha aumentaram em 14 capitais. Houve um descolamento dos preços da farinha de mandioca em relação a de trigo, com o quilo custando, em média, R$ 3,00 mais caro no varejo das capitais do Norte e Nordeste, onde o item é pesquisado. Neste mês, os principais aumentos foram verificados em: Salvador (9,87%), Recife (7,72%) e Florianópolis (6,44%), local onde é acompanhado o preço da farinha de trigo. Os menores aumentos foram anotados em Porto Alegre (1,05%), Belém (1,89%) e Brasília (2,36%). Em Campo Grande (-3,68%), Fortaleza (-1,73%), Vitória (-1,49%) e no Rio de Janeiro (-0,24%), houve retração nos preços. Na comparação anual, os preços aumentaram nas 17 capitais, com os principais aumentos encontrados em: Aracaju (188,83%), Manaus (180,22%) e Salvador (170,64%), localidades onde é pesquisado o preço da farinha de mandioca. O preço do pão francês ficou mais caro em 13 locais. As maiores altas ocorreram em Recife (4,95%), Belo Horizonte (3,45%) e São Paulo (2,85%). As retrações foram apuradas em quatro cidades: Campo Grande (-6,20%), Porto Alegre (-1,07%), Natal (-0,15%) e Belém (-0,14%). Em Goiânia, os preços permaneceram estáveis. Na comparação anual, o pão francês ficou mais caro em todas as capitais, sendo os maiores aumentos identificados em: Salvador (29,08%), São Paulo (19,28%) e Rio de Janeiro (18,29%).

A banana teve seus preços majorados em 15 das 18 capitais pesquisadas devido à queda na produção. As maiores elevações ocorreram em João Pessoa (29,16%), Natal (19,43%) e Recife (18,80%). Os menores aumentos deram-se em Brasília (0,78%), Vitória (3,91%) e Curitiba (4,30%). Queda nos preços foi anotada em Manaus (-4,59%), Campo Grande (-3,59%) e Florianópolis (-2,16%). Na comparação anual, expressivas altas ocorreram em capitais nordestinas, como por exemplo, João Pessoa (116,31%), Natal (94,64%) e Fortaleza (89,68%).

No mesmo período, houve retração nos preços no Rio de Janeiro (-3,13%) e Curitiba (-1,86%). O tomate, produto que vinha apresentando predominância de alta nos meses anteriores, ficou ainda mais caro em 10 capitais. Os maiores aumentos ocorreram em Belém (18,55%), Recife (18,54%) e João Pessoa (17,66%). Os recuos foram apurados em oito localidades, com

destaque para Salvador (-37,50%), Porto Alegre (-19,84%) e Goiânia (-16,19%). Os dados da safra de verão 2012/2013 confirmaram redução na área de cultivo e na quantidade produzida, o que acarretou aumento nos preços praticados no atacado. Na comparação anual, houve aumento em todas as 17 capitais com informações disponíveis. As variações mais expressivas ocorreram no Rio de Janeiro (320,55%), Vitória (213,33%) e Aracaju (172,93%). Os menores aumentos foram apurados em Salvador (14,35%) Manaus (65,95%) e Belém (86,36%).

Em abril, a batata ficou mais cara em nove das 10 capitais da região Centro-Sul, onde é pesquisada. Os maiores aumentos do tubérculo deram-se em Campo Grande (14,42%), Brasília (12,23%) e Rio de Janeiro (12,10%). Apenas em Porto Alegre os preços diminuíram (-1,50%).

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o produto aumentou em todas as nove capitais com informação disponível. A batata é outro produto que sofreu com as reduções de área e produção devido a problemas climáticos como a seca em regiões nordestinas, ou o excesso de chuva no Sudeste, o que atrasou o plantio. Na comparação anual as maiores variações foram encontradas no Rio de Janeiro (144,65%), Brasília (141,45%) e Curitiba (127,64%).

Assim como no mês anterior, o preço da carne bovina, produto de maior peso na

composição do valor da cesta básica, apresentou predominância de queda, diminuindo em 15 das 18 capitais pesquisadas. As maiores retrações ocorreram em: Recife (-2,70%), Belo Horizonte (-2,47%) e Brasília (-2,34%). Embora moderados, os aumentos ocorreram em três capitais: Natal (1,20%), Campo Grande (0,79%) e Rio de Janeiro (0,70%). Na comparação anual, houve recuo em cinco localidades e altas em doze, sendo as mais expressivas: Florianópolis (13,82%), Salvador (9,47%) e São Paulo (5,27%).

Abril marcou também a continuidade da queda no preço do arroz entre as regiões pesquisadas (17 das 18 capitais). As retrações mais significativas ocorreram em Aracaju (-19,79%) Campo Grande (-7,89%) e Vitória (-6,39%). O único aumento no mês foi apurado em

Florianópolis (2,87%). A queda de preços ainda reflete a continuidade da comercialização da nova safra, bem como maiores importações do grão a preços baixos. Na comparação anual, o arroz ficou mais caro em todas as 17 capitais com informações disponíveis. As maiores elevações foram apuradas em: Belém (50,53%), Salvador (34,16%) e Curitiba (33,13%).

Já os preços do óleo de soja, recuaram em 17 localidades. As retrações mais significativas

ocorreram em Campo Grande (-8,44%), Aracaju (-7,42%) e Goiânia (-7,23%). O único aumento no mês ocorreu em Florianópolis (4,79%). A safra recorde de soja no mercado nacional, bem como a queda de preços da oleaginosa no mercado internacional desde o começo do ano, podem influenciar os preços óleo, principalmente por conta do aumento da oferta. Na comparação anual, foram registrados aumentos em 16 capitais, sendo os maiores em Manaus (27,72%), Vitória (12,70%) e Brasília (12,37%). O único recuo nos preços em relação a abril de 2012 foi anotado em Florianópolis (-8,82%).

 São Paulo

Na capital paulista, a cesta básica custou, em abril, R$ 344,30, o que manteve São Paulo como a cidade mais cara entre as 18 pesquisadas pelo DIEESE. Em relação a março, houve aumento de 2,39% nos preços dos produtos essenciais, o oitavo maior em relação às 18 capitais pesquisadas. No acumulado do ano, a alta foi de 12,92%. Já na comparação com abril de 2012, o aumento é de 24,18%.

Em abril, oito dos 13 itens que compõem a cesta paulistana apresentaram elevação: feijão carioquinha (8,52%), tomate (7,57%), banana nanica (6,08%), batata (5,83%), farinha de trigo (4,21%), leite in natura integral (3,34%), pão francês (2,85%) e manteiga, cujo preço subiu 1,93%, percentual menor que o total da cesta. Outros cinco itens tiveram queda no período: óleo de soja (-5,33%) açúcar refinado (-5,26%), café em pó (-3,95%), arroz-agulhinha (-3,24%) e carne bovina (-2,01%).

Na comparação anual, apenas o açúcar refinado (-5,71%) apresentou recuo nos preços. Assim como no mês anterior, o tomate lidera a alta de preços (122,18%), seguido por outros três produtos que registraram variações acima da encontrada para o total da cesta: batata (93,09%), farinha de trigo (28,57%) e arroz (24,48%). Os outros oito itens tiveram alta abaixo do preço médio da cesta: feijão (21,44 %), pão francês (19,28%), leite in natura integral (12,20%), óleo de soja (10,34%), manteiga (10,24%), banana nanica (6,51%), carne bovina (5,27%) e café em pó (5,19%).

Devido à alta do custo da cesta no mês, o trabalhador paulistano cuja remuneração equivale ao salário mínimo necessitou cumprir, em abril, 111 horas e 43 minutos para comprar os mesmos produtos que, em março, exigiam a realização de 109 horas e 07 minutos. Em abril de 2012, o tempo de trabalho necessário para a aquisição da cesta era de 98 horas e 04 minutos.

Em abril, o custo da cesta, em São Paulo, comprometeu 55,20% do salário mínimo líquido, isto é, após os descontos previdenciários. Em março, o percentual exigido era de 53,91%. Em abril de 2012, a parcela do salário mínimo liquido gasta com os gêneros alimentícios correspondeu a 48,45%. Este aumento do comprometimento do salário com a aquisição da cesta de alimentos está relacionado com a elevação de preços acima da alta do salário mínimo, verificada no período.

Fonte: DIEESE

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